Websummit 2017: vale a pena ir a um dos maiores eventos de tecnologia e startups do mundo?

Web Summit 2017 – Palco Principal

Entre os dias 06/11/2017 e 09/11/2017 aconteceu na Altice Arena e na FIL (Feira Internacional de Lisboa) a nona edição do Web Summit, um dos maiores eventos de tecnologia, inovação, empreendedorismo e startups do mundo. Esta foi a segunda vez que o evento foi realizado em Lisboa e, em 2018, Portugal será novamente a sua casa. Nesta semana, tive o prazer de representar a Clubee e a nossa solução SIOM , que foi selecionada pela organização para participar do evento como Startup Alpha. O objetivo deste post é apresentar as minhas impressões sobre o que eu vi para as pessoas que não tiveram oportunidade de ir e também convidar aqueles que tiveram o privilégio de presenciar tudo ao vivo a participarem do debate. Afinal, em um evento desta magnitude é humanamente impossível absorver tudo. Dedicarei outro post para contar como foi a experiência de ser uma Startup Alpha no Web Summit.

Web Summit 2017 em números

Antes de mais nada, vou apresentar alguns números que mostram a grandiosidade do Web Summit 2017. Os dados foram extraídos do site da Sapo:

  • Países representados: 170;
  • Participantes: 59.115 (42% de público feminino e crescimento de aproximadamente 6000 mil pessoas no total em relação ao ano anterior);
  • Palestrantes: 1.200, sendo deste total 35% do sexo feminino;
  • Jornalistas: 2.600;
  • Startups: 2.100;
  • Investidores: 1.400;
  • Sessões de Wi-Fi: 2,2 milhões.

O monitoramento das redes sociais feito pela equipe da Dinamize , levantou os seguintes dados:

  • 213.609 itens monitorados no total (entre posts, vídeos, fotos e comentários no Facebook, Twitter, Instagram, Flickr e Youtube);
  • A rede social mais utilizada foi, supreendentemente para nós brasileiros, o Twitter com 149.829 publicações;
  • Pico de publicação no dia 09/11, último dia do evento;
  • Termos mais mencionados: technology (30%), startup (29%), design (17%) e marketing (14%).

Como organizar a agenda para absorver tudo de um evento destas proporções?

Os números acima mostram que o evento é muito grande. Para facilitar a vida dos participantes, alguns dias antes do evento a organização disponibiliza um aplicativo que fornece uma série de informações e ferramentas que promovem interação entre todos os participantes e ajudam e muito na programação da agenda ao longo dos dias.

appWebSummit AppWebSummitPorém, a impressão que tive e que foi compartilhada por diversas pessoas com as quais conversei é que por mais que você organize a sua agenda para acompanhar e absorver as informações que realmente te interessam,  você ficará com a sensação de que perdeu algo. Diversos fatores levam a isto: distância, volume de pessoas e horários muitos próximos entre as palestras são alguns que destaco. Porém, se este formato acaba impedindo ou dificultando que você siga o roteiro planejado a risca, por outro lado promove um networking fantástico, pois você dificilmente fica parado ou sozinho. Quantas vezes ao longo do evento acabei parando no trajeto para conhecer uma nova pessoa ou uma startup interessante e acabei não assistindo a uma palestra que tinha me programado para ir? Sob o meu ponto de vista isto é um fator positivo, pois no final o principal ativo que você traz para casa são estes contatos. Portanto, imagino que este “caos” pode ser uma estratégia da organização do evento que tem como objetivo promover estes encontros não programados. Apesar de toda tecnologia e inovações, o evento é feito para pessoas conhecerem pessoas.

Web Summit: um evento democrático

Além de grandioso, a impressão que eu tive é que o Web Summit é um evento democrático que abre espaço para pessoas dos mais variados perfis e organizações de todo porte. Empresas tradicionais e novas já consagradas e conhecidas do grande público, se misturam com startups do mundo todo. Sei que o ingresso não é barato, especialmente para startups e para pessoas de países onde a moeda é mais fraca que o Euro (triste realidade do nosso Real), mas acreditem, uma vez lá dentro, todos ocupam o seu espaço.

Neste mesmo prisma, destaco também a presença de pensamentos opostos ocupando os palcos do Web Summit. Se nos primeiros dias a organização abriu espaço para Brad Parscale falar sobre a estratégia de marketing digital que impulsionou a campanha eleitoral de Donald Trump, por outro deu o encerramento a Al Gore que com um discurso totalmente anti-Trump, destacou a importância de aliar a proteção ao meio ambiente e consciência social ao poder das inovações tecnológicas como os principais motores para construirmos um mundo melhor. E tudo isto ganhando dinheiro, como ele fez questão de deixar claro.

Inteligência Artificial

Fazendo ainda um gancho com o assunto evento democrático e já entrando nos principais temas discutidos na semana passada em Lisboa, a robô Sophia e o robô Einstein também tiveram o seu espaço. E que espaço! De forma bem resumida, os dois debateram se a evolução da inteligência artificial será benéfica para o futuro da humanidade ou será maléfica, servindo apenas para tomar o emprego das pessoas.

Na noite de abertura, Stephen Hawking também entrou neste tema e disse que esta tecnologia tem sim o poder de mudar o mundo. Afirmou também: “Vamos finalmente poder acabar com a doença e a pobreza. Todos os aspetos das nossas vidas serão transformados”.

Além disso, tiveram várias palestras e startups explorando o universo da inteligência artificial, dos chatbots e machine learning. Estas são tecnologias que com certeza vão fazer cada vez mais parte do nosso cotidiano.

Web Summit: um evento praticamente 24 horas

Para mim o ponto mais positivo do Web Summit é que o evento não termina na última palestra. Uma série de outras programações oficiais ou não oficiais preenchem o resto da dia. Pub Summit, Night Summit e Sunset Summit , são alguns exemplos de atividades que prolongam o evento. Tem até o Surf Summit que não tive a chance de conferir. Todas estas atividades ajudam a reforçar a impressão de que a organização faz de tudo para incentivar a conexão entre os participantes.

Portugal e Web Summit: uma união de sucesso!

A impressão que fiquei é que a combinação Web Summit+Portugal é um casamento perfeito, onde todos os envolvidos ganham. No encerramento era visível a sintonia entre Paddy Cosgrave, CEO do Websummit, e Marcelo Rebelo de Sousa, presidente de Portugal.

Lisboa parou para receber o evento. Era possível ver totens e propagandas do Web Summit em todos os pontos da cidade, desde o aeroporto até nas principais avenidas e pontos turísticos. O presidente do país anfitrião, teve a difícil missão de falar após o forte discurso de Al Gore e se saiu bem. Em um discurso cheio de energia falou dos benefícios que um evento deste porte traz para a economia do país e deixou claro que se depender da vontade dele e do povo português a edição de 2018 não será a última no país. Portugal quer mais. O Web Summit é definitivamente uma peça importante na estratégia de posicionar o país como um centro de referência de incentivo a startups, inovações e novas oportunidades.

No outro lado desta bela relação, Portugal fez muito bem para o Web Summit também. Localização estratégica, valores mais atrativos para os participantes, boa infraestrutura, rede hoteleira ampla e apoio do governo local são alguns dos fatores que ajudaram a impulsionar o evento.

Vale a pena o investimento?

Para ter uma resposta 100% racional é importante esperar e ver se o evento trará retorno financeiro para a empresa. O que posso dizer é que a curto prazo a visão que tenho é que este retorno virá. Como mencionei ao longo deste post o maior ativo que você pode trazer de um evento deste porte, são os contatos feitos. Maior parte das pessoas que foram ao Web Summit, estão dispostas a conversar, trocar conhecimento e fazer novas parcerias. Então aproveite a chance e faça novos contatos. É justamente pelo fato de acreditar no poder da conexão que são feitas entre as pessoas que tenho a forte impressão que o investimento foi válido.

Marcelo Ferraz é sócio e Diretor Comercial da Clubee Soluções.

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